Reclamações do trânsito.

Em resposta a reportagem da repórter Bruna Borgheti do “O correio do povo” de 18/11 feita sobre o problema dos acidentes na via Bertha Weege, na Barra do rio Cerro. A população reclama das imprudências e pede lombada eletrônica. Será que esta é a solução?

Interessante a notícia, mas temos que tomar cuidado porque o assunto é sério demais. Sair pedindo lombada eletrônica é ignorância. É ignorar tudo que existe ao redor, as reais necessidades e as verdadeiras causas.

Quando inventaram os primeiros carros a motor, o povo reclamou e pediu uma lei para limitar a velocidade deles em 10km/h que era a máxima que as carroças atingiam. Obviamente esse tipo de lei não dura muito. O povo precisa se comportar melhor e a prefeitura cumprir suas obrigações. Na minha opinião estão simplesmente querendo tirar uma vantagem, olhando apenas para si e não para o contexto. Temos que cuidar disso. Até um guard rail, talvez de concreto, ajudaria a piorar a situação do motorista imprudente e melhorar a de quem não tem nada a ver com isso.

Agora, claro que temos que ter uma velocidade limite para as áreas urbanas, mas de forma que o fluxo não seja prejudicado.

Lembro de um fato onde instalaram um radar eletrônico, em modo “caça níquel”, de 60km/h em uma via de 80km/h. Era uma via de acesso às praias. Além disso, no local já existia uma passarela, mas o povo não usava. Quando chegou o verão, o radar causava filas absurdas por causa da redução da velocidade. O que aconteceu? A polícia teve que desativar o radar e ficar no local pedindo para as pessoas acelerassem, em contradição com a cultura já criada.

Voltando a Jaraguá, a via citada na reportagem uma das principais vias principal da cidade, muito importante. É comum passar lá ou em outras vias importantes e encontrar pessoas andando pela via ao invés de andar na calçada. É normal demais encontrar mãe, com criança de mão, com a criança andando fora da calçada, na via. A mesma coisa já vi com carrinho de bebê. A calçada lá, e a mãe conscientíssima empurrando carrinho na via. Ciclistas, quando com amigos, não andam em linha e a maioria faz pista dupla de bicicleta. Quando não estão andando no sentido oposto da via, esperando que o carro no cruzamento veja-os vindo no sentido contrário. É para isso que pedem redução de velocidade? Para continuar agindo assim?

No contexto a reportagem está correta pois comenta o verdadeiro motivo. Falta de atenção e imprudência. É bem normal ver gente no trânsito penteando os cabelos, passando maquinagem, fumando e usando o celular. Dirigir bêbado e destruir um muro ocorre muito e para isso a lei prevê cadeia. Mas precisamos de um denunciante para fazer valer a justiça. Ninguém que teve o muro de sua casa destruído chamou a polícia para fazer o flagrante!? E dirigir com apenas uma mão, segurando a porta, quantos desse vemos por dia? Baixar demais a velocidade dá a possibilidade da pessoa literalmente “viajar” ao volante. Hoje notei um motorista a minha frente que fez um movimento com a cabeça que eu considero impossível. Olhou para o lado apenas para notar a pessoa que vinha no outro carro. Ele conseguiu pois era um dos “motoristas cuidadosos” (segundo ele) que andam devagar quase parando. Para mim é um descuidado sem tamanho, um irresponsável. Eu particularmente não consigo fazer tal movimento. Sou da época que para tirar a carteira, não precisávamos de auto escola. Só precisávamos passar pela prova escrita e pela mulher (macho) que era o carrasco das provas práticas do DETRAN. Ou executava o trajeto com perfeição, ou ia para casa treinar mais. E ela aindapoderia te reprovar algumas vezes. Hoje qualquer R$ 1100 pagos à máfia das auto escolas te dão uma carteira de motorista.

A verdade é que ninguém reclama disso, e sempre escolhem a solução menos efetiva, mais irritante, mais corrupta e mais fácil, aquela que mantém a cultura do “errado”. Lombadas eletrônicas e radares não resolvem. A prefeitura adora porque vai é ajudar na sua mega arrecadação de multas (Jaraguá do Sul, parabéns pelo recorde). E a polícia também. Já estão quase virando uma empresa privada com fins apenas lucrativos. Nem precisam fazer fiscalização direito.

Essas são as causas de acidentes e é ai que temos que focar esforços. A principio alguns podem ficar com medo da mudança de perfil pois isso é contra todas as propagandas e campanhas cegas que dizem que temos somente que reduzir velocidade, reduzir, reduzir e reduzir. Mas vamos pensar realmente no contexto. Quem dirige diariamente sabe como a velocidade média tem caído e a coisa continua ruim. Quem sabe o interesse dessas propagandas não seja melhorar nada, e sim abafar o caso e tirar a responsabilidade de quem tem poder de decisão. Uma jogada de interesses, pois a solução boa é mais cara à curto prazo. Mas não a longo.

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Comments
One Response to “Reclamações do trânsito.”
  1. Concordo.. velocidade não é o problema.
    Problema é falta de atenção e também uma coisa que vc esqueceu de citar, a manutenção dos carros..
    Ontem e hoje vi 2 carros completamente podres sem condições de trafegar. Rodas quase caindo, todas tortas, suspensão totalmente dura, sem amortecimento, estabilidade e segurança alguma.

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