A saúde do trouxa e a política.

de José Paulo Remor

A seguir um comparativo sobre a saúde pública no Brasil e em outros países.

Aqui a saúde pública se resume ao atendimento do SUS. Pagamos por ele, porém as empresas oferecem os planos de saúde como um benefício ao trabalhador. A sociedade considera inviável o uso do sistema público e recorre aos planos privados. Pagamos duas vezes.

Para fazer uma avaliação de quanto o governo dispõe pelo plano de saúde público do SUS que pagamos, recorri a dados da ABRASCO. Gastamos em média 3,2% do PIB, ou seja, comparando com o PIB por habitante, nossa investimento mensal desse plano fica em torno de R$ 44,0, considerando um PIB de US$ 9700 no ano de 2010 e dólar a R$ 1,70). Isso é o que todos os brasileiros pagam (ou o que o governo tem disponível para gastar) pelo seu plano de saúde SUS. E ele realmente é pago, por isso estou chamando de plano. Os funcionários públicos que lá atendem não estão nos prestando um favor. Os que possuem outro plano privado, em torno de 20,7% da população do país, também pagam seu SUS. Ou seja, se fôssemos dividir a taxa do SUS para quem usa  teremos um acréscimo no valor mensal dele do ponto de vista do faturamento do plano. Passariam a R$ 53,00 por pessoa (por pessoa e não por família ou por renda) por mês. Seriam suficientes para termos um atendimento mediano para não chamar de bom. Esse é o valor que o governo dispõe para manter sua estrutura sem necessidade de gerar lucro.

A lista a seguir nos compara com os nossos vizinhos considerando que toda a população usa o sistema público.

País – Gastos mensais per capita (toda a população)
Brasil – R$ 44,00 (3,2% do PIB por habitante)
Argentina – R$ 58,70 (5,12% do PIB por habitante)
França – R$ 528,00 (8,1% do PIB por habitante)

É incomparável o valor pago pelo francês e pelo Brasileiro, mas comparando pelo PIB, o brasileiro teria que pagar R$ 111,00, número mais próximo dos valores que pagamos aos planos (valor dividido entre a empresa e o funcionário).

A França é modelo de saúde pública até na Europa. Lá o seguro de saúde do governo cobre seus gastos com os atendimentos privados. Se forem gastos pequenos com problemas passageiros, 70% é coberto. Com doenças de longo prazo e alto custo, 100% dos gastos são cobertos. Ou seja, os atendimentos podem ser feitos pelo setor privado e cobertos pelo seguro nacional. Não tem fila do SUS e o ressarcimento do valor é no mês seguinte. Além disso existem os hospitais públicos também. A lógica do sistema deles é que o governo não é dono do seguro de saúde universal (é um plano de saúde público), mas apenas controla o orçamento que é vinculado ao sistema previdenciário. É de conhecimento que o sistema previdenciário da França anda em déficit, mas também por outros motivos como o envelhecimento da população.

Se implementado um sistema similar no Brasil teríamos o governo como dono da seguradora, transformando-a em uma empresa estatal que logicamente apareceria nos noticiários com escândalos de caixa 2. Não consigo imaginar o governo sendo apenas controlador do orçamento de um orgão sem fins lucrativos. O problema é que aqui, com o foco político partidário do dia a dia, não se permite olhar para a saúde como um benefício fundamental para a manutenção do país. Muitos devem ter pensado “A previdência da França está quebrada, implementando sistema similar aqui o governo fechava as portas amanhã”. Não devemos esquecer que se tratam de pessoas. O problema monetário do fundo de previdência na França é resolvido com o aumento dos impostos e incentivos para quem quiser ter filhos. É um problema financeiro. Dificilmente se dariam ao luxo de acabar com o sistema de saúde modelo.

Aqui ninguém se importa. O povo não cobra e o governo não faz nada. Paga-se pelo SUS e pelo plano privado. Se não pode pagar plano privado para ser mal atendido por ele, vai para a fila no SUS. É loteria, ou é atendido ou morre na fila. Adotamos o modelo estadunidense cheio de reclamações, que gasta muito e rende pouco. Mas sequer temos uma economia similar a deles. Gastamos pouco e rendemos pouco.

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Comments
One Response to “A saúde do trouxa e a política.”
  1. Mariano disse:

    no mínimo ridículo, pra um país deste tamano.

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