Análise do Orçamento 2011

Todos nós sabemos, o governo sabe e o especialista em economia Luís Inácio já avisou a diplomada Dilma. O governo precisa cortar gastos. Hoje 21/12 o relatório do orçamento está indo para votação. É a proposta que separa o dinheiro que vai entrar no governo durante o ano de 2011. Na proposta se permite a alteração do curso durante o ano dependendo das mudanças de prioridade. Porém, a proposta inicial é justamente a que mostra o quanto de importância se dá a cada setor. Neste link está a tabela de gastos por órgãos que será anexada na proposta de orçamento a ser votada.

A tabela mostra uma coluna de acréscimos destinados a cada área, que é relativa ao crescimento do PIB. O problema é que, com o gasto excessivo do governo, apareceu a coluna “cortes”. E como super destaque de cortes temos uma sequência de 0% de cortes nos setores da Justiça, Superior Tribunal Federal, Senado e Câmara (agora com seus salários já configurados). Dos 50 bilhões cancelados dos investimentos, temos destaque para o ministério de Ciência e tecnologia com 7,8% de corte.

Resultam, após os cortes, os seguintes crescimentos reais em ordem do maior para o menor.

Ministério do Turismo 76,36%
Ministério do Esporte 47,64%
Ministério da Pesca e Aqüicultura 31,54%
Ministério de Minas e Energia 27,79%
Ministério da Integração Nacional 22,63%
Ministério da Cultura 21,27%
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 13,23%
Ministério do Meio Ambiente 12,48%
Ministério das Cidades 11,55%
Ministério da Ciência e Tecnologia 10,30%
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 9,37%
Ministério Público da União 4,19%
Ministério da Saúde 3,74%
Câmara dos Deputados 3,14%
Presidência da República 2,94%
Justiça Eleitoral 2,84%
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome 2,74%
Transferências a Estados, Distrito Federal e Municípios 2,45%
Ministério do Desenvolvimento Agrário 2,44%
Superior Tribunal de Justiça 2,13%
Ministério da Justiça 1,93%
Ministério da Defesa 1,88%
Ministério da Educação 1,75%
Ministério dos Transportes 1,73%
Supremo Tribunal Federal 1,46%
Justiça do Distrito Federal e dos Territórios 1,21%
Ministério da Previdência Social 1,14%
Justiça Federal 1,13%
Ministério das Relações Exteriores 0,96%
Operações Oficiais de Crédito 0,92%
Tribunal de Contas da União 0,75%
Justiça do Trabalho 0,60%
Senado Federal 0,60%
Ministério das Comunicações 0,41%
Ministério do Trabalho e Emprego 0,38%
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão 0,32%
Encargos Financeiros da União 0,22%
Justiça Militar da União 0,00%
Conselho Nacional do Ministério Público 0,00%
Refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal 0,00%
Ministério da Fazenda -0,03%
Conselho Nacional de Justiça -1,85%
Reserva de Contingência -64,22%

É evidente a preocupação com a copa do mundo, e 2011 pelo jeito será o ano do investimento em turismo e em esporte. Realmente deixamos a dever demais nessa área, mas temos muitos problemas para resolver antes deles.

O problema está nos investimentos em educação (1,75% de crescimento) e Saúde (3,74%). Especialmente os ministérios de Educação e Ciência e tecnologia, este último com um bom crescimento, receberam cortes desnecessários que somam 1 Bi perante os 34 bi que os aumentos de salários irão consumir. Os demais setores ligados diretamente ao governo ficaram no fundo da lista com algumas poucas exceções.  Que bom, pois esses setores realmente não têm mais o que crescer. Deveriam reduzir. Destaque de boa notícia para um aumento de repasses aos estados e às cidades. Mas para completar a análise precisamos não olhar somente para os índices de crescimento, mas analisar os percentuais gastos em cada setor sobre o total do orçamento. Estão mostrados na tabela a seguir.

Refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal 34,31%
Encargos Financeiros da União 14,86%
Ministério da Previdência Social 14,80%
Transferências a Estados, Distrito Federal e Municípios 9,09%
Ministério da Saúde 3,92%
Ministério da Educação 3,24%
Ministério da Defesa 3,12%
Ministério do Trabalho e Emprego 2,52%
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome 2,20%
Operações Oficiais de Crédito 1,69%
Ministério das Cidades 1,12%
Ministério dos Transportes 1,09%
Ministério da Fazenda 1,00%
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão 0,83%
Justiça do Trabalho 0,63%
Ministério da Justiça 0,57%
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 0,47%
Ministério da Ciência e Tecnologia 0,41%
Ministério de Minas e Energia 0,40%
Presidência da República 0,38%
Reserva de Contingência 0,37%
Justiça Federal 0,35%
Ministério da Integração Nacional 0,28%
Justiça Eleitoral 0,23%
Ministério do Desenvolvimento Agrário 0,22%
Ministério das Comunicações 0,22%
Câmara dos Deputados 0,21%
Ministério Público da União 0,20%
Ministério do Turismo 0,19%
Ministério do Meio Ambiente 0,17%
Senado Federal 0,17%
Ministério do Esporte 0,13%
Ministério das Relações Exteriores 0,11%
Ministério da Cultura 0,11%
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior 0,10%
Justiça do Distrito Federal e dos Territórios 0,08%
Tribunal de Contas da União 0,07%
Superior Tribunal de Justiça 0,05%
Ministério da Pesca e Aqüicultura 0,03%
Supremo Tribunal Federal 0,03%
Justiça Militar da União 0,02%
Conselho Nacional de Justiça 0,01%
Conselho Nacional do Ministério Público 0,00%

Gastamos 34% em refinanciamento da dívida, 15% com encargos da união e 15% com Previdência. Educação com 3,3%, ciência e tecnologia com 0,41% e até mesmo saúde com 4% são a grande vergonha do orçamento.

A conclusão é clara. Estaremos no próximo ano limitando nosso tempo e nosso dinheiro em fingir para o mundo que o país é bonito e desenvolvido. Criançada em escolas de péssima qualidade e, quando doentes, esperando em filas de atendimentos ridículos de saúde. Vamos jogar a sujeira para debaixo do tapete e quem sabe receber os estrangeiros para a Copa e a Olimpíada com cara de país de primeiro mundo. Se isso funcionar, claro.

É a famosa cultura da aparência. Enquanto estamos ai mergulhados nas dívidas refinanciadas estamos fingindo ser boa pinta.

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Comments
One Response to “Análise do Orçamento 2011”
  1. Mariano disse:

    É meu amigo.. infelizmente essa cultura nacional não é só lá no governo, se vê diariamente nas ruas também.
    É o reflexo do povo no governo, é só o que eu digo.

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