A internet Chinêsa

Vou reviver aqui uma reportagem da Folha um pouco antiga (Agosto de 2008), e uma outra (Agosto de 2009) mas que ainda valem e muito. Serve como alerta para pensarmos até onde podemos monitorar algo de uma forma diferente do que faz a China. Fica claro que apenas as opiniões do governo, que controla o sistema de monitoramento, são permitidas. Qualquer comentário diferente deste é filtrado. Qualquer pessoa normal que exerça seu papel natural de “pensar diferente” pode ser vista e abordada como um criminoso.

Além disso, o sistema de controle é visívelmente elaborado. São 30 mil pessoas que, tenho certeza, não devem dar conta do trabalho. Resta então bloquear serviços a exemplo do twitter e do facebook. Com o controle total das 3 entradas o procedimento é simples.

Como fazer para regular internet de uma forma diferente desta apresentada pela China? É possível ceder ao governo tal poder, com a desculpa de um pequeno controle, e arriscar uma extrema confiança (neles) de que nada será bloqueado?

Até que ponto podemos nos manter livres falando em regulação de algo irregulável?

Vale a pena colocar 30 mil pessoas (de nível qualificado) para operar um sistema de monitoramento, mesmo que não tenha bloqueio? Ou seria melhor aparelhar a polícia, pagar bem, e investir em um sistema de rastreamento (o tal processo dito difícil)?

Internet na China é monitorada por 30 mil pessoas, que até apagam posts

RAUL JUSTE LORES
da Folha de S.Paulo, em Pequim

O peso político da internet faz com que ela seja controlada com requinte pelo governo chinês. Estima-se em 30 mil o número de censores que ficam vigiando os principais fóruns e debates on-line –comentários sobre assuntos polêmicos são apagados em minutos.

O contato entre a rede da China e a do resto do mundo passa por um pequeno número de cabos de fibra óptica que entram no país em três pontos. Poucos lugares têm acesso a internet por satélite, que é caro. O governo consegue monitorar praticamente todo o tráfego que entra no país.

O sistema de monitoração e proteção é chamado pelo governo de “Projeto Escudo Dourado”, embora os internautas o tenham apelidado de “Great Firewall”, um trocadilho entre o nome da Muralha da China em inglês (“Great Wall”) e o sistema de segurança firewall.

Parte do esquema de vigilância e monitoramento foi vendida ao governo chinês pela empresa americana Cisco.
Sites com informação sensível –como o da seita Falun Gong, banida no país e os das ONGs que defendem a independência do Tibete ou que divulgam relatórios sobre direitos humanos– são bloqueados. Censura válida para o centro de imprensa dos jogos.

Outra medida envolve os micros que tentam acessar sites proibidos e que começam a não conseguir abrir site algum. Esses usuários atraem a atenção do batalhão de censores –já aconteceu de usuários serem descobertos em cibercafés e receberem a visita de autoridades querendo saber o porquê da visita a páginas censuradas.

Conectar-se à internet na China é uma aventura

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RAUL JUSTE LORES
da Folha de S.Paulo, em Pequim

Um maremoto provocado pelo tufão que atingiu Taiwan na semana passada se tornou a mais nova calamidade da internet chinesa. Segundo a gigante estatal das telecomunicações, o maremoto avariou um cabo transoceânico que liga a rede ao país.

Conectar-se virou uma aventura –com interrupções frequentes e mais lentidão que o habitual.

Sem desastres naturais, a internet já é turbulenta. Facebook e Twitter estão bloqueados desde as eleições iranianas em junho, quando viraram ferramentas na luta por democracia. O YouTube já estava bloqueado. É normal que sites noticiosos como o do “New York Times” ou o da BBC saiam do ar.

Aniversários da rebelião do Tibete (março), do massacre na praça da Paz Celestial (junho), do banimento da seita Falun Gong (julho) e da República Comunista (outubro) aumentam o controle, com sites bloqueados e tráfego mais lento.

Estima-se que 30 mil censores trabalhem no governo. Os maiores portais do país, como Sina e Sohu, têm censores internos que deletam até comentários mais críticos ao governo.

Há diversos mecanismos tecnológicos (vpns, proxies) para se driblar a censura, mas pouquíssimos tentam ver o que é proibido. “Só uma pequenina minoria tem interesse ou fala inglês para tentar descobrir o que está acontecendo no mundo”, diz Steven Lin, gerente do Youku. “Para a maioria, não faz diferença.

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