Liberalismo x política do bem estar social

Os posts anteriores sobre a regulação da internet me fizeram pensar sobre como abordar o assunto de forma mais completa. E conclui que falta uma análise sobre as políticas econômicas, assunto que não sou nenhum especialista, mas que de certa forma vou passar aqui como um cidadão comum após uma pesquisa pela net. É certamente um assunto complicado e extenso para se tratar em um post.

Nesses últimos oito anos, principalmente a partir de 2009, o ano da crise, o governo e um pedaço do povo brasileiro vem atacando as políticas neoliberais e defendendo o maior controle do estado como a solução para uma economia mais sólida. Está sendo exageradamente desenhado um vilão. É importante saber realmente o que está sendo atacado e principalmente conhecer a história para saber qual será o peso dessas decisões.

A primeira coisa a fazer é não utilizar rótulos nas políticas econômicas que, por mais que tenham uma tendência, nunca seguem por completo uma teoria. Existiram no mundo muitas políticas ditatoriais que aplicaram princípios neoliberais. Os rótulos podem ser utilizados quando se fala em teoria econômica, mas não quando se fala em política econômica.

Aqui no Brasil as políticas neoliberais foram demasiadamente aplicadas no nosso antigo, corrupto, elitista e colonialista governo de direita que sucedeu o regime dos anos 60. Com um governo desestruturado e o país afundado em problemas cambiais, de corrupção e principalmente sociais, as políticas foram muito criticadas pela forma que foram executadas. E com razão. Porém a razão acaba aqui. O princípio do neoliberalismo não é tão injusto quanto a esquerda extremista gosta de pregar, nem tão justo quanto a direita extremista prega. Ele é tão injusto quanto o estado inchado e protetor da esquerda que a direita também combate. A definição de neoliberalismo vem de uma fase seguinte ao liberalismo porém com princípios idênticos. O primeiro terror feito sobre o assunto é com o termo “neo” com o intuito de diferenciar a intensidade dos princípios, mas que de fato somente identifica uma fase posterior à retomada do controle do estado sobre a economia depois da segunda guerra e da quebra da bolsa. Algo similar ao que vem acontecendo novamente.

O segundo terror comum é associar um liberal ao consumismo. Como já foi colocado antes, existem países com caráter socialista mas de princípios econômicos liberais. Consumismo, acredito, é uma questão cultural. Os grandes europeus são casos de países com economia social de mercado que juntam um pouco do socialismo e do liberalismo. Conseguem assim um bom equilíbrio de distribuição de renda e qualidade de vida. O exemplo da tendência da atual política dos Estados Unidos, conforme artigo do Carta Capital, que até aqui foi um país dito liberal e agora vem aplicando políticas regulatórias e anti democrática. Na verdade vejo o caso deles como especial por parecer de certa forma desorientado devido a devastação econômica da crise.

Modelos de estados focados no bem estar social já foram aplicados na Inglaterra pelo Partido Trabalhista Inglês que governou a partir de 1945. Essas políticas não tiveram continuidade – logo após assumiu Churchill que afirmava que os “trabalhistas eram como nazistas” – e para alguns economistas esse caminho levaria o sistema ao colapso. Algumas teorias dizem que o crescente controle do estado leva a completa perda da liberdade e aos princípios governistas que os nazistas impuseram na Alemanha. Em resumo, mesmo que se diga que a democracia estará sempre garantida com a regulação, provavelmente não será verdade. Porém foram apenas teorias econômicas com bases político ideológicas. O mais interessante é notar que um dos idealizadores desta teoria, Friedrich Hayek, dividiu um prêmio Nobel de economia com outro economista de pensamento contraditório, Gunnar Mydral, que estudou o caos econômico liberal associado a pobreza mundial. O prêmio mostrou que ambos possuem algo de importante em seus trabalhos.

A conclusão é que antes de tomar decisões e posições, devemos lembrar o que a história já contou. E não somente um exemplo da história, mas vários. Devemos ter um meio termo entre estado anoréxico e com obesidade mórbida. Temos que utilizar um pouco de cada um e apenas o que for de bom. A desculpa de que um estado regulatório não deve causar temor de uma volta aos fatos passados também não vale. Além disso a escolha do modelo da política econômica não é a ferramenta para fugir de crises econômicas e sociais como a própria história já nos mostrou. Não é correto achar que o liberalismo nos afundou e o estado regulador será a salvação. Este foi o lema de ambos os partidos na vergonhosa guerra da eleição brasileira de 2010 que mais pareceu querer confundir a cabeça do povo. O estado com políticas socialistas de mercado parece o caminho mais correto a ser tomado, mas para que qualquer política econômica funcione corretamente é necessário um conjunto de leis fortes, bem seguidas pelo judiciário, e com baixo índice de corrupção. E para combate à corrupção nada melhor que um povo educado e com uma ferramenta extremamente livre como a internet para trabalhar na fiscalização. Sabe-se lá quantas novas mídias ainda teremos no meio físico internet, a exemplo dos blogs, twitter e facebook. Um estado verdadeiramente democrático e “dentro do peso” deve ser capaz de conviver com um sistema livre como este.

Fonte: pt.wikipedia.org

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