EUA anti-liberal e a tendência das direitas no Brasil

Gostei demais do post do Eduardo Guimarães do blog da Cidadania e me permiti usar a figura dele aqui também. Eduardo será agora meu exemplo à quem deseja falar em regulação da internet.

Vou começar falando do Assange, o homem da foto e pai do WikiLeaks com uma bandeira dos EUA na boca representando todos os problemas e os trâmites que ele vem sofrendo do governo “estadunidense” que objetiva tirá-lo de circulação. E sim, é assim que se chamam as pessoas que nasceram nos Estados Unidos da América. Mesmo que peões como o Reinaldo Azevedo da revista PiG VEJA digam que esta é a forma que a esquerda extremista (usando termos como esquerdopatas) usa, esta é sim a forma correta que neutros como eu usam. Ele, um direitopata “internacionalista” de coração, usa o termo “americano” excluindo o país dele (?) e todos os outros vizinhos do continente, este sim Americano.

Os EUA vem demonstrando fortes tendências ao sistema regulatório. Incrementam sem parar suas políticas regulatórias sobre a internet causando ânsias por aqui também. Alguns exemplos das novas leis que circulam por lá estão a seguir:

  • Possibilidade de executar grampos telefônicos no skype. Pessoas comuns não podem, somente o governo.
  • Criminalização de criação de perfis falsos nas redes sociais (que até certo ponto deveria ser baseado em leis comuns e não na internet).
  • A criação de um botão “desliga” para a internet, comandada pelo presidente (notícia do G1).
  • A mesma lei do botão desliga, permitiria que o governo obrigasse empresas a bloquear determinados sites.

Além dessas leis, a intolerância ao trabalho do Assange é grande por parte de vários governos, liderados pelos EUA. Depois do tempo que escutávamos várias teorias improváveis, que circulavam pelo boca a boca e que fatalmente soavam como teorias da conspiração, agora estas são apresentadas de forma mais clara e provável pelo WikiLeaks. Vários escândalos já foram denunciados e os mais intrigantes tratam das diplomacias dos países. Os assuntos geraram uma grande preocupação nos governos que tiveram reações diferentes das que tinham perante os antigos boatos. Agora o estado liberal máximo inverte seu jogo.

De fato, não são boatos, mas para terrorismo também não servem. Para justificar uma prisão do Assange, usam a justificativa que ele é um terrorista (ou cyberterrorista para dar mais medo). Eu até concordo de chamá-lo de terrorista, mas o terror ele está “tocando” é nos governos. Nós, povão, não sofremos em nada com este terrorismo e estamos nos beneficiando da liberdade da internet para conhecer assuntos antes engavetados. Engraçadinhos manipuladores mundo afora estão aterrorizados porque foram desmascarados. Que fiquem! Eu sempre digo que assim como o napster, o sharereactor e tantos outros, tirar o WikiLeaks do ar criará outros três sites do tipo.

Temos que entender o que de fato ocorre e saber filtrar peões do tabuleiro como Reinaldo Azevedo que ainda tem tempo para falar do Assange como um megalomaníaco desprezível. Tudo escrito neste post. Algumas frases a seguir.

Assange e liberdade de imprensa não se confundem. Os jornalistas continuam a publicar o que ele vaza, sem restrições.

Sim, e os jornalistas teriam publicado se já não tivesse aparecido para alguns na internet? A imprensa se cala quando não existe outra forma de tornar público. Ele diz que de tantos escândalos a imprensa não sabia de nenhum, mas eu não acredito. Tem quem diga que alguns sabiam mas filtravam, como se o assunto não fosse de interesse público.

Mas um estado que não se ocupasse de tentar punir a cadeia criminosa que resultou no vazamento teria de ser dissolvido. Ai dos americanos – e do mundo! – se o governo dos EUA desse de ombros para o fato!

Os governos estão corretíssimos em punir quem vazou, mas não Assange que apenas publica. Publicar deveria inclusive ser obrigação da imprensa que tem um dever com a verdade pública (obrigação por ética, não por lei). Nem preciso lembrar da artimanha do estupro sueco para prender alguém sem maiores justificativas.

Há mais: Assange usa as informações, de que se tornou monopolista – é mentira que o WikiLeaks seja hoje só um site de vazamentos, sem filtros -, para fazer uma espécie de chantagem branca.

Ele não se tornou monopolista. As pessoas que vazaram não vendem para ele com exclusividade de publicação. Ou vendem? Eles entregam para o único maluco que torna público, porque a imprensa pelo visto não faz. Pode ser que o “WikiLeakyLeaks” do Reinaldo esteja super afinado e ele tenha mais informações do que todo o resto do mundo. E se o site WikiLeaks não é só publicação de vazamentos, é o que então? O que foi filtrado?

O que Reinaldo e outros peões que ficam protegendo reis não sabem é que eles são os primeiros a serem descartados na batalha. São descartados justamente pelos reis. Escrevem bonito mas com objetivos tortos.

No Brasil, Eduardo Azeredo é o pai da lei de controle da internet. É o amigo dos banqueiros (ver sobre o AI5-digital aqui). Justificam com “auês” como pedofilia, roubos de dinheiro, pessoas que ameaçam a presidenta de morte no twitter, neo nazistas e incitações de discórdia e intolerância. Estas são coisas que acontecem apenas no mundo real. Não existe pedofilia na internet, aqui se espalha o que se faz no mundo real. No twitter temos as ameaças de morte, não as execuções. Neste caso deveríamos ver a internet como um sistema que facilita a identificação desses criminosos que devem pagar de acordo com as leis que já temos. Dizer que é difícil encontrar criminoso anônimo na internet é ignorar que ele nunca seria encontrado no mundo real como continua não sendo com a internet. Se (notem bem a palavra se) Assange é criminoso, ele não opera como um anônimo na internet. A cara dele está estampada na primeira pagina do site e todos já conhecem ele. Mas serão caras de pau suficientes para justificar as leis que desejam com o caso Assange.

Entendendo este e outros pontos, Eduardo Guimarães do Blog da cidadania que a tempos atrás vinha postando sobre racismo pela internet, continua brigando pela importância de fazer valer a justiça para esses criminosos do mundo real, mas sabe também da importância de manter a internet livre.

Fiquemos todos atentos como Eduardo, agora nosso grande exemplo, para não entrar no jogo de poder de poucos! Estes poucos quando tem seu espaço reduzido, são capazes de coisas inimagináveis e normalmente possuem a máquina do poder governamental em suas mãos.

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