Crise econômica e tendências comunistas nas entrelinhas

Devido à crise de 2009 e o temor pelas consequências mais drásticas na economia, passou a ser normal a crítica ao sistema capitalista. Sem os devidos créditos de Carl Marx, que dizia que o comunismo viria após uma profunda fase de crise capitalista, a Carta Capital aproveitando o embalo publicou alguns artigos que apesar de bem escritos, muito bem fundamentados e apresentando o assunto de forma realista sobre o capitalismo “selvagem”, são tendenciosos, resultando em uma apologia a outras políticas econômicas (e também sociais). Podem ser lidos aqui, aqui e aqui.

A base para todo o assunto é a crise econômica capitalista que deixa de herança um buraco na disponibilidade de empregos nos países mais desenvolvidos. No Brasil não sentimos muito graças a uma boa regulação econômica e boas políticas sociais, mas ainda estamos muito longe de ter empregos (e níveis de desigualdade) similares aos europeus. Emprego é uma entidade capitalista. No comunismo o conceito de emprego da forma que conhecemos não existe e os bens necessários são produzidos conforme decisão democrática e de acordo com a demanda de todos, sem que ocorra uma troca por uma moeda. É ai que ficam minhas perguntas aos comunistas. O espaço dos comentários está aberto para respostas.

  1. Quem, de fato, num sistema comunista decide o que é produzido ou não? Democraticamente esta decisão fica na mão de um grupo, assim como na república democrática fica nas mãos do poder legislativo.
  2. Como tratar as diferenças humanas e as diferentes necessidades individuais em um sistema igualitário?
  3. Consequência das questões 1 e 2, como um sistema como este pode apresentar desenvolvimento tecnológico? Vale lembrar que o desenvolvimento tecnológico é fruto das necessidades do mercado capitalista.

Não acredito que existam soluções simples para estas questões, pois de fato nunca existiu estado comunista que tenha resolvido esses problemas. Todos os estados que dizem ter implantado o comunismo não passaram para a etapa do estado mínimo. Gostaram do poder e do controle e assim se mantiveram desfrutando dele. Caso especial, a China aderiu a política de mercado, ficando com a parte comunista regulatória da sociedade. O objetivo é o controle e a manutenção dos interesses de poucos e o principio de Marx leva a um caminho fácil para isso. As respostas a estas perguntas serão contraditórias considerando que sempre teremos corrupção na sociedade em algum nível que fatalmente levará o sistema a um controle regulador exagerado e corrupto por si só. Em resumo um estado pesado.

Antes de levantarem as espadas vale lembrar que o sistema capitalista socialmente aberto e livre permite o desenvolvimento de comunidades com princípios comunistas sem que isso leve a uma alteração no estado. Basta qualquer cidadão não fazer seu CPF e não buscar nenhum emprego para entrar no sistema capitalista. No capitalismo ninguém é forçado a ser trabalhador. No interior de São Paulo podemos encontrar uma comunidade pequena, colônia de japoneses, que vive nesses moldes nos dias de hoje. Foi assunto de uma reportagem recente da rede Record, mas não consegui encontrar informações sobre eles na internet. Lá produzem o que precisam e distribuem entre todos da comunidade de acordo com as necessidades. Não existe uma economia. Existe também uma escola para todos. Vivem isolados e são poucos os que falam o português. Mesmo assim, precisam trocar algumas coisas da sua produção por dinheiro para obter no mercado capitalista brasileiro máquinas, roupas e outros bens. Apesar de não ser perfeito, acredito que funcione, mas os jovens normalmente migram para a sociedade capitalista, mantendo a comunidade sempre pequena. O dinheiro é gerenciado por uma pessoa. Lá todos se conhecem e a corrupção é monitorada de perto, mas apliquemos a um país grande como o nosso e nos preparemos para os dias de trevas.

As teorias comunistas e a sociedades comunistas são utópicas. Me deixa preocupado que o assunto entre em pauta mesmo sabendo da utopia, motivados pela teoria de Marx que a crise seria o ponto final do capitalismo e a transição para este regime. Mesmo assim, são colocados nas entrelinhas sem dizer diretamente qual o objetivo e usando termos como “desmercantilizar”. Não me passa pela cabeça outro objetivo que não seja o interesse de poucos em controle baseado no poder pelo poder. Apesar de aparentar uma política extremamente preocupada com a sociedade de nada parece ter este objetivo. As tendências se apresentam como totalitarismo. Os exemplos de boas políticas sociais são baseados em pouco liberalismo econômico, mas essencialmente capitalista como as economias sociais de mercado da Europa, em especial as sustentáveis nórdicas (ver mais aqui no wikipedia) que pouco sentiram da crise.

Para quem ainda tiver dúvidas sobre o assunto vale ler a Revolução dos Bichos. O link para o ebook grátis está a seguir:
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/animaisf.pdf

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