Corrupção e a Política do pão e circo

Como ligar a situação corrupta do país com a sua história? A manipulação do povo e a manutenção da cegueira coletiva é de fato histórica. Para manter neste estado basta aplicar a política do pão e circo da antiga Roma. O sentimento de que somos pacíficos e precisamos da malandragem foi projetado.

Antes de votar no PT o Brasil convivia com inflação alta, falta de oportunidades, falta de emprego, baixo poder de compra, muita pobreza e em contraste os milionários que se beneficiavam da situação. Assim seguiu de plano em plano e, no último, FHC acertou a moeda com o Real. O preço pela estabilidade da moeda foi alto, começaram a vender o país, – embasados nos ideais liberais – e não estou falando somente das privatizações. A conseqüência do massacre elitista foi a vitória de Lula nas eleições de 2002, depois de três eleições perdidas. O povo, hoje salvo da pobreza, não tolerava Lula. Tinham o mesmo discurso da elite. Olhavam apenas para o candidato indicado pela grande mídia que na época era formada por um único bloco. Cansado, e mesmo com o real, o povo decide finalmente dar uma chance a Lula que, se não ganhasse a eleição de 2002, entraria em desgaste similar ao que vemos hoje com o PSDB e Serra. A aliança com o PMDB (hoje cada dia mais fraca) ajudou e muito na época.

Olhando para trás vemos que pouco se aprendeu neste país. Aprender é sinônimo de coisa chata de intelectual. E o povo não é e não quer ser intelectual, já associaram a posição àquela elite que destruiu o país. Grande erro, esta é a maior das nossas pobrezas. A fase FHC e os seus anos de glória só foram longos devido à falta de capacidade de diferenciar ações para selecionar representantes e ao silêncio imposto pela política do pão e circo. Até hoje o circo acontece as oito (ou nove?) da noite na rede de TV X. É difícil acreditar que um povo prejudicado e sofrido era capaz de copiar o discurso da elite que dominava e destruía. Em nada mudou a posição do governo do PT que, assim como a elite fazia, passa seu tempo “pregando”. Agora pregam coisas diferentes como dizer que a erradicação da pobreza foi uma proeza da pessoa Lula e somente devido a seu passado pobre e sem formação alguma. Assim garantem a manutenção da ignorância sobre este território.

Quando a política é analisada com cuidado e sem sermos tendenciosos vemos que a erradicação da miséria deveria ser associada à alternância de poder causada pelo cansaço extremo com o FHC e sua turma. Muitos outros candidatos (de fora da elite) teriam tomado decisões similares e até, sob meu ponto de vista, mais valiosas que as de Lula e do PT. Sequer podemos associa-lá a Lula, pois ele não planeja sozinho. Particularmente eu esperava do PT uma melhora considerável, e achava que Lula tinha sim condições de governar apesar de nenhuma formação. Mas não concordo com a forma como fizeram nem com os discursos, cumprindo mandatos de marketing eleitoreiro e populista*. Eu esperava uma construção de um povo suficientemente instruído para não cometer erros antigos. Algo aos moldes do crescimento sul-coreano que foi baseado em educação. A seguir uns exemplos de discursos populares, cópias baratas dos de Lula, que vemos pela internet.

“Por preconceito, o clube só dava acesso, pelo voto popular, a quem tinha diploma universitário ou espada de general.” – Se referindo ao clube que supostamente elegia na fase FHC. Não era o povo que votava? Antes de 80 a conversa é outra.

“Eu fico impressionado como muitas pessoas, ditas esclarecidas, intelectuais, especialistas, ou mesmo figuras eminentes na sociedade, possuem posição tão equivoca…. E com certeza faculdades particulares. …Um ser humano assim, tem algum valor para a sociedade? …Uma elite burra, retrógrada, insensível, antisocial, antidemocrática, preconceituosa, sem valores sociais, morais, e éticos, com visão única e exclusivamente para o seu ego e seu umbigo. Definitivamente gente assim, O BRASIL NÃO PRECISA! Poderiam se mudar, como muitos disseram que o fariam caso o Lula se elegesse Presidente; mudar aos EEUU. Ponto.”

“Enquanto os intelectuais e especialistas mundo afora não conteram a crise por aqui um metalúrgico resolveu. Gostei de ver os países ricos em crise.” – Esse ultimo é do ídolo mesmo.

Veja como teimam em usar a imagem de Lula para denegrir a formação acadêmica. Em especial denigrem quem estuda em universidade paga, muitas vezes filhos de pobres usufruindo de financiamentos universitários por falta de vagas nas públicas. Agora, até a rica e próspera união européia, que vive muitas vezes melhor que nós mesmo em crise, é tratada como terceiro mundo devido aos seus “especialistas” e toda a massa formada. O pobre brasileiro hoje deve achar que vive na Suíça do mundo já que tem dinheiro como nunca. Um gigantesco equívoco, pois é uma miséria comparada com o europeu em crise. E só será Suíça se tiver escola como lá. Não se pode associar o diploma universitário a um governo como o de FHC que tentou e quase conseguiu vender as excelentes universidades públicas? Como podem falar que a elite é preconceituosa e antidemocrática se mesmo eles parecem desejar que quem discorde se cale ou saia do país (como diz uma minoria)?

Mas esse discurso tem uma utilidade. Política do pão e circo aos moldes da política da elite. Se houve algum aprendizado foi esse. Pretendem a qualquer custo posicionar lá em cima gente que não tem capacidade (entende-se formação) nenhuma. À exemplo de políticas como as cotas para negros que de nada valorizam o mérito e aumentam o preconceito ao diferenciar raças. O principio é simples e gravado no subconsciente: “Se um torneiro mecânico pode, qualquer um pode” e assim ganhamos mais um penduricalho. A solução não seria simplesmente melhorar o ensino público a ponto de concorrer bem com o privado? Essas pessoas chegariam às portas das universidades importantes brigando igualmente por vagas. A política de cotas é mais justa? Não, mas é mais marqueteira. Os negros e índios que assim entram em universidades foram comprados e não tem seus problemas resolvidos porque seus filhos precisarão também de cotas. Também foram comprados aqueles que ganharam bolsas, mas não ganharam a esperança de não precisar mais delas por não ter escolas para seus filhos. É o ciclo da corrupção se completando. Daqui a pouco teremos também 175 dias de feriados no calendário anual (como em Roma).

Depois da manutenção do populismo vem uma etapa seguinte que é inevitável, o crescimento da regulação. Hoje se fala em regulação de internet, regulações de telefonia e tantas outras. Da econômica que deveriamos ter bastante ouvimos pouco, porém elas estão ocorrendo. É o efeito de uma popularidade de 80%, muito comemorada mas também muito prejudicial. Seria suficiente dizer que nenhum governo poderia ter tal popularidade. É como imaginar que 80% das pessoas passariam suas vidas satisfeitas com a situação atual que vive o país. Esta satisfação abre portas para o governo aumentar seus tentáculos. Certa vez ouvi um comentário: “nenhum governo tem obrigação de ser perfeito”. Certissimo, não tem obrigação, nem condições e portanto não poderia nunca ter aprovação de 80%. Isso foi motivo para alguns não votarem no PT nesta eleição e eu achei uma ótima justificativa.

Mas existe esperança. Apesar desse povo sem formação ter o Lula como o ídolo, eles sequer notaram (e Lula também) que votaram em uma presidenta com ótima formação e que vejo agora nesse princípio de governo falar muito na educação. Fizeram isso porque não tem capacidade intelectual de perceber tudo que está ao seu redor. Culpa da falta de escolas que, na quantidade certa, seria uma solução para a redução da cegueira. Quem sabe a presidenta encontrará uma barreira forte e pesada pela frente pois acredito que ela não faça parte de uma esquerda extremista. Que ela vença, pois assim conseguimos reduzir a corrupção social e a política.

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Populismo segundo Wikipédia: O termo populismo é utilizado para designar um conjunto de movimentos políticos que se propuseram colocar, no centro de toda ação política, o povo enquanto massa em oposição aos (ou ao lado dos) mecanismos de representação próprios da democracia representativa. Exemplos típicos são o populismo russo do final do século XIX, que visava transferir o poder político às comunas camponesas por meio de uma reforma agrária radical (“partilha negra”).

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  2. […] dinheiros de patrocínios estão extremamente fora da realidade do mundo. Quem financia todo este circo e os gladiadores é o povo que também regula o meio. Roberto Carlos tem que deixar o país, pois sabe-se lá até […]



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